Quando escrevi sobre o filme Galera do Mal, esqueci de citar uma cena engraçada. Na hora do almoço, os "cristãos" estão comendo em um daqueles refeitórios de high school americana, quando de repente entra a menina revoltadinha da história. Preocupada com a salvação desta colega, uma das crentes diz: "vamos mostrar que ser cristão é legal. Todo mundo rindo agora". Aí todo mundo começa a rir, para que a incrédula perceba sua triste condição e una-se ao grupo mais animado. Confesso que quase me reconheci nessa cena. Pelo menos algumas vezes na vida devo ter tentado ou pensado em algo parecido.
Este é o lado negro da publicidade sendo aplicado à igreja. E muitas igrejas estão fazendo isso, não tenho dúvidas. Por outro lado, existe muito da propaganda que a igreja já aplica e nem sabe. E que não se tratam de tentativas de maquiar o Evangelho, nem de confiar em técnicas humanas ao invés da obra de Deus. Como estudante de publicidade, vejo que muita gente nem percebe que está anunciando sua igreja, e nem por isso está desviando-se da mensagem da Cruz.
Antes que alguns fechem os ouvidos e usem o velho argumento "não estamos vendendo produtos na igreja!", preciso lembrar o que esse tipo de atitude provoca. A pessoa simplesmente torna-se incapaz de aprender alguma coisa nova, só porque criou em sua cabeça um argumento baseado numa frase de efeito. Então, não se refugie pra sempre atrás dessa frase ou suas variantes - a publicidade não serve apenas para maquiar produtos, esconder o que não é agradável ao público, e assim tentar vendê-los. A publicidade tem outras funções, e alguém já resumiu todas elas como resolver problemas. É claro que essa é uma definição simples e nada científica, e nem todo mundo que resolve algum problema está agindo como publicitário. O caso é que essa definição realmente consegue expressar o que muitos publicitários fazem.
O grande erro do grupo cristão no filme citado não foi tanto o desejo de mostrar a alegria cristã. Ser cristão, embora tenha sua carga de sofrimentos, é uma alegria, e podemos até dizer que seja legal. Sim, nós desejamos que as pessoas reconheçam seus pecados, arrependam-se e rendam-se a Deus, e que elas tenham uma vida de santidade, o que muitas vezes traz inconvenientes e dificuldades. Porém, também queremos que eles descubram a alegria que é conhecer a Cristo e glorificar a Deus. O erro do grupo foi forjar ou simular sua alegria para alcançar almas. Não era uma alegria verdadeira, era uma alegria sintética, artificial, provocada por agentes humanos, não por ação divina. Ora, isso é propaganda enganosa. E igreja não é lugar de engano.
Entendo que a propaganda da igreja deve ser verdadeira, necessária e, de certa forma, espontânea. Por exemplo, quando colocamos o endereço e o telefone da igreja numa lista telefônica não estamos fazendo como todas as empresas? Alguém poderia me dizer: "Mas é óbvio que as igrejas devem fazer isso! Como as pessoas vão encontrá-la?" Mas isto é justamente o que eu defendo. O problema era "como fazer para as pessoas encontrarem a igreja?", e foi o anúncio na lista que o solucionou, ao menos em parte. Outro exemplo: como os vizinhos saberão o horário do culto? Muitas igrejas colocam uma placa na porta da igreja com os horários. Problema resolvido. E por aí vai. Tem algo de errado em usar a propaganda desta forma para anunciar a igreja? Certamente que não.
Para mim, a maior função da propaganda não é tanto vender alguma coisa ou algum idéia. Creio que o motivo mais importante de se fazer propaganda é mostrar que esse produto ou essa idéia existem. Uma igreja precisa mostrar que ela existe, precisa dizer quem ela é. Não para salvar o máximo de pessoas possível a qualquer custo, abrindo mão dos princípios bíblicos se necessário for, como muitos estão fazendo. Isto a igreja não deve fazer porque é desleal. Mas a igreja deve fazer propaganda de si, pois um dia alguém precisará saber onde fica a congregação mais próxima, seja por causa de algum problema em sua vida, ou porque acabou de mudar-se, ou outro motivo, quem sabe. Esse é o lado bom da propaganda, que pode ser usado pela igreja.
E existe muito mais na propaganda que apenas comerciais de TV ou anúncios impressos. Participei recentemente de um congresso sobre publicidade, e todos os palestrantes afirmaram que a propaganda está entrando numa nova fase, graça às tecnologias web. E o mais surpreendente é como as igrejas mais comprometidas e sérias estão aderindo a alguns aspectos dessa nova fase da propaganda, sem nem saber!
Mas isso é assunto para um próximo post.
Imagem: minha autoria. A foto eu achei na internet, parece ser de uma associação de palhaços cristãos. Não dava pra deixar passar.
Este é o lado negro da publicidade sendo aplicado à igreja. E muitas igrejas estão fazendo isso, não tenho dúvidas. Por outro lado, existe muito da propaganda que a igreja já aplica e nem sabe. E que não se tratam de tentativas de maquiar o Evangelho, nem de confiar em técnicas humanas ao invés da obra de Deus. Como estudante de publicidade, vejo que muita gente nem percebe que está anunciando sua igreja, e nem por isso está desviando-se da mensagem da Cruz.
Antes que alguns fechem os ouvidos e usem o velho argumento "não estamos vendendo produtos na igreja!", preciso lembrar o que esse tipo de atitude provoca. A pessoa simplesmente torna-se incapaz de aprender alguma coisa nova, só porque criou em sua cabeça um argumento baseado numa frase de efeito. Então, não se refugie pra sempre atrás dessa frase ou suas variantes - a publicidade não serve apenas para maquiar produtos, esconder o que não é agradável ao público, e assim tentar vendê-los. A publicidade tem outras funções, e alguém já resumiu todas elas como resolver problemas. É claro que essa é uma definição simples e nada científica, e nem todo mundo que resolve algum problema está agindo como publicitário. O caso é que essa definição realmente consegue expressar o que muitos publicitários fazem.
O grande erro do grupo cristão no filme citado não foi tanto o desejo de mostrar a alegria cristã. Ser cristão, embora tenha sua carga de sofrimentos, é uma alegria, e podemos até dizer que seja legal. Sim, nós desejamos que as pessoas reconheçam seus pecados, arrependam-se e rendam-se a Deus, e que elas tenham uma vida de santidade, o que muitas vezes traz inconvenientes e dificuldades. Porém, também queremos que eles descubram a alegria que é conhecer a Cristo e glorificar a Deus. O erro do grupo foi forjar ou simular sua alegria para alcançar almas. Não era uma alegria verdadeira, era uma alegria sintética, artificial, provocada por agentes humanos, não por ação divina. Ora, isso é propaganda enganosa. E igreja não é lugar de engano.
Entendo que a propaganda da igreja deve ser verdadeira, necessária e, de certa forma, espontânea. Por exemplo, quando colocamos o endereço e o telefone da igreja numa lista telefônica não estamos fazendo como todas as empresas? Alguém poderia me dizer: "Mas é óbvio que as igrejas devem fazer isso! Como as pessoas vão encontrá-la?" Mas isto é justamente o que eu defendo. O problema era "como fazer para as pessoas encontrarem a igreja?", e foi o anúncio na lista que o solucionou, ao menos em parte. Outro exemplo: como os vizinhos saberão o horário do culto? Muitas igrejas colocam uma placa na porta da igreja com os horários. Problema resolvido. E por aí vai. Tem algo de errado em usar a propaganda desta forma para anunciar a igreja? Certamente que não.
Para mim, a maior função da propaganda não é tanto vender alguma coisa ou algum idéia. Creio que o motivo mais importante de se fazer propaganda é mostrar que esse produto ou essa idéia existem. Uma igreja precisa mostrar que ela existe, precisa dizer quem ela é. Não para salvar o máximo de pessoas possível a qualquer custo, abrindo mão dos princípios bíblicos se necessário for, como muitos estão fazendo. Isto a igreja não deve fazer porque é desleal. Mas a igreja deve fazer propaganda de si, pois um dia alguém precisará saber onde fica a congregação mais próxima, seja por causa de algum problema em sua vida, ou porque acabou de mudar-se, ou outro motivo, quem sabe. Esse é o lado bom da propaganda, que pode ser usado pela igreja.
E existe muito mais na propaganda que apenas comerciais de TV ou anúncios impressos. Participei recentemente de um congresso sobre publicidade, e todos os palestrantes afirmaram que a propaganda está entrando numa nova fase, graça às tecnologias web. E o mais surpreendente é como as igrejas mais comprometidas e sérias estão aderindo a alguns aspectos dessa nova fase da propaganda, sem nem saber!
Mas isso é assunto para um próximo post.
Imagem: minha autoria. A foto eu achei na internet, parece ser de uma associação de palhaços cristãos. Não dava pra deixar passar.

1 comentários:
É verdade, é verdade, SIM!!! Vc expôs uma realidade muito presente em nossas Igrejas!
Igreja não é lugar de engano...
Que vergonha que eu tenho quando vejo algumas coisas por aí.
Fico no aguardo do próximo post sobre o tema.
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