terça-feira, abril 25, 2006

Cristo, Nosso Sacerdote (1)

"Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus" (Hebreus 7.26)

Hebreus para muitos é um mistério. Primeiramente porque não podemos dizer com certeza quem a escreveu, de forma que numa roda de estudantes da Bíblia, uma hora ou outra, alguém iniciará um debate sobre a autoria desta carta (e isso depois de uma longa discussão sobre o que é o livro - carta, sermão, discurso ou o quê?). Ninguém pode ter certeza quanto à autoria, embora alguns apostem todas as suas fichas no Apóstolo Paulo. Da minha parte, não tenho nenhuma opinião final, porém começo a concordar com aqueles que vêem uma influência joanina no texto (sem ignorar a paulina, claro).

Em segundo lugar, o livro é considerado um dos mais difíceis da Bíblia. O curioso é que, em determinado momento, o autor fala aos seus leitores que não está tratando de assuntos muitos difíceis, porque eles haviam se tornado "tardios em ouvir" (Hb 5.11). Isto é, Hebreus foi direcionado para pessoas simples, que não eram "mestres" (5.12). Isso revela a ignorância da igreja evangélica atual. Talvez seja pela falta de mestres em nosso meio que tantos líderes estejam aderindo às "práticas antiquadas e envelhecidas, e prestes a desaparecer" (9.13) da Antiga Aliança. Instituições mosaicas, como o voto de nazireado e as festas judaicas, retornam com força total nas igrejas, demonstrando que muitos cristãos professos não leram (ou pelo menos não entenderam) este livro.

Sabemos disso porque a mensagem de Hebreus é bastante clara quanto à superioridade de Cristo frente a todos os preceitos e práticas mosaicas. Podemos inferir, com base nas constantes exortações sobre o abandono da fé, que o livro foi direcionado para mostrar a judeus convertidos o absurdo que é sequer cogitar a idéia do retorno ao judaísmo. Por toda a carta (ou sermão), o autor nos mostra como o Senhor Jesus cumpriu e aperfeiçoou todas as instituições da Antiga Aliança. Assim, neste texto ele quer nos provar que Cristo é maior também como sacerdote. No versículo que estudamos, é como se o autor dissesse "é justamente de um sacerdote assim que estávamos precisando!". E ele faz isso nos apresentando cinco características do sacerdócio de Jesus que superam o sacerdócio levítico.

1.Santo

Os outros sacerdotes eram santos, e até deveriam carregar em suas cabeças os dizeres "Santidade ao Senhor" (Êx 28.36), porém não eram santos em si mesmos. Nenhum deles pôde, com suas próprias forças, tornar-se santo. Todos foram santificados por Deus e continuavam dependendo da graça de Yahweh para continuar neste estado de santidade. Jesus, pelo contrário, possui santidade em si mesmo, devido à sua origem divina, e para que pudesse cumprir sua missão. É por isso que Cristo é chamado de O Santo de Deus (Mc 1.24; Jo 6.69; At 3.14), pois a santidade faz parte de seu próprio ser e ele é definido por isto.

Jesus não apenas é o Santo, mas também é a fonte de santificação dos crentes. Os antigos sacerdotes intercediam pelo povo, faziam sacrifícios para perdão dos pecados, e poderiam até conter a pecaminosidade dos israelitas por meio de punições e restrições. No entanto, eram incapazes de tornar o povo cada vez mais parecido com Deus. Eles não tinha o poder de aperfeiçoar os crentes. Por outro lado, na Cruz o Salvador garantiu a santificação de seus eleitos (Ef 5.26), tornando-se ele mesmo santificação (1Co 1.3o) e enviando o Espírito Santo ao seu povo (At 2.33).

Sendo Santo, ele é o único que pode achegar-se ao Pai sem medo de ser consumido. O. Palmer Roberston nos diz que Cristo, "na presença do Deus triplamente santo, não recua de vergonha como o profeta Isaías". Jesus compartilha da santidade divina e estará sempre intercedendo por nós na presença de Deus, ao contrário dos antigos mediadores. Não há necessidade de recorrer a outra pessoa além do Santo de Deus. Na verdade, é até falta de inteligência. O autor de Hebreus sabia disso e insistiu para que seus ouvintes não se afastassem do Sumo Sacerdote em troca de um sacerdote humano e pecador.

Hoje em dia podemos não cair nessa tentação de ir atrás de um sacerdote da Antiga Aliança. Mas quantas vezes não nos tornamos dependentes de homens para seguir nossa jornada cristã? Podemos dar o cargo de Sumo Sacerdote para um pastor, um líder, um intercessor, uma "mulher de oração" ou mesmo um professor. Estas pessoas muitas vezes podem ser verdadeiros santos, homens e mulheres que se dedicam completamente a Deus, mas não são separados como o Senhor Jesus. Por mais piedosos que sejam, precisam também de um Sacerdote como nós, e no fim das contas, temos de reconhecer que é apenas no Santo que encontramos conforto e proteção.

"Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7.25)

Obs.:Este é um esboço de sermão para o próximo domingo. Até o fim de semana colocarei os outros pontos da mensagem. É baseado em parte na exposição de Hb 7.26 do O. Palmer Robertson em O Israel de Deus, da Editora Vida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito fera Josa!
Estou lendo Hebreus e gostei muito
Abraço.

Josaías disse...

valeu, lucas :)
continue lendo Hebreus
se sobrar tempo, a minha exposição do versículo também :P