sábado, abril 29, 2006

Cristo, Nosso Sacerdote (4)

"Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus" (Hebreus 7.26)

5. Exaltado acima dos céus

Antes de passarmos para a análise mais detalhada do texto, quero comparar este tópico com o anterior, "separado dos pecadores". Nosso texto em português não consegue captar todas as sutilezas dos tempos verbais gregos, que foram bem escolhidos para expressar o pensamento do autor. "Separado" é escrito de forma que entendamos que Jesus uma vez foi separado dos pecadores e continua desta forma, enquanto "exaltado" passa a idéia de algo definitivo. Isto é, ele foi exaltado acima dos céus de uma vez por todas, num evento único, de caráter definitivo. Cristo recebeu "toda a autoridade" (Mt 28.18) e um "nome acima de todos os nomes" (Fp 2.9). Além de exercer sua função sacerdotal, após a ressurreição ele recebeu o cargo de Soberano, de Senhor. Esta é uma das idéias mais fortes e mais repetidas no Novo Testamento.

O contraste entre Cristo e os antigos sacerdotes encontra-se no fato de que ele morreu, porém ressuscitou. Os mediadores da Antiga Aliança estavam destinados a morrer e voltarem ao pó. A diferença é grande - Cristo foi elevado ao lugar de onde veio, eles voltaram para o chão de onde saíram. E como homens finitos, eles deveriam ser substituídos por seus filhos e parentes. Cada geração tinha um sumo sacerdote diferente. Jesus, por outro lado, é sacerdote eternamente, trabalhando incansavelmente pelos seus.

Este verso também é um cumprimento do Salmo 110. Neste texto messiânico, Davi nos fala de um rei guerreiro que assume o sacerdócio. O Messias é exaltado à direita de Deus, aguardando sua vitória final, e recebe no v.4 a seguinte declaração de Deus - "Jurou o SENHOR, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno". Hoje vivemos no período descrito por este salmo. O Messias já está assentado à direita de Deus, mas ainda aguarda que todos os inimigos sejam vencidos em definitivo. Cristo já é sacerdote eterno, mas o dia da ira ainda não veio. No entanto, podemos ter certeza de que virá. Da mesma forma que já vemos um cumprimento parcial de muitas das promessas que Davi profetiza aqui, podemos ver pela fé a consumação final desta profecia.

Conclusão

É inegável a superioridade de Cristo frente a todas as instituições e personagens da Antiga Aliança. O autor de Hebreus tem muito a falar sobre isso, e vimos em apenas um verso quanta diferença há entre o Filho e os antigos mediadores. Aqui está um pequeno resumo do que ele nos trouxe nesse pequeno trecho:
  1. Cristo é santo em si mesmo e a origem da santidade; os antigos sacerdotes são falhos e precisam ser santificados por Deus;
  2. Cristo é inocente de qualquer acusação; eles são culpados e precisam sempre fazer expiação pelos seus próprios pecados;
  3. Cristo é puro e não se deixa contaminar por nada; eles estão passíveis de contaminação, ao realizarem algum ato imundo;
  4. Cristo venceu todas as tentações pelas quais passou, ou seja, não é pecador; os antigos sacerdotes, por mais piedosos que fossem, acabaram caindo em pecado;
  5. Cristo foi elevado às alturas e permanece eternamente como sacerdote; eles voltaram ao pó da terra.

Que possamos ter sempre essas verdades em mente, para que cada vez tenhamos mais fé em Cristo e menos confiança nas coisas da terra, mesmo aqueles que faziam parte da Antiga Aliança.

Bibliografia
ROBERTSON, O. Palmer. O Israel de Deus. Editora Vida
CULLMAN, Oscar. Cristologia do Novo Testamento. Editora Liber

1 comentários:

Anônimo disse...

Poxa, ainda não li os últimos posts... me aguarde! Copiei aqui pra ler de uma vez!