terça-feira, junho 06, 2006

Pequena Fé

"Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?" (Mateus 6.30)

Ao se referir aos homens de pouca fé, vemos que Jesus está obviamente lidando com uma categoria de pessoas que têm fé. Uma coisa é ter pequena fé, a outra é ter nenhuma. Assim, não se trata de exortar incrédulos, mas os próprios discípulos. O Sermão do Monte é todo direcionado para os seguidores de Cristo, de forma que se exclui aqui todo e qualquer ser humano não-cristão, independente de sua "fé". Esta fé está entre aspas porque uma fé que não é direcionada a Cristo não é considerada por Deus como fé. O justo viverá pela fé, nós sabemos, mas pela fé no Filho de Deus.

Desta forma, nem mesmo aquela crença que muitos gostam de confessar, em um deus genérico, é significante para Yahweh. No Orkut, uma das comunidades mais populares - inclusive entre os crentes - é a Eu acredito e confio em Deus. Porém, um exame mais atencioso do grupo revelará que boa parte dos membros da comunidade acreditam e confiam numa divinidade desconhecida, chamada carinhosamente de "Deus", mas que não se revelou em Cristo. Isto não pode ser chamado de pequena fé, pois a fé verdadeira - por menor que seja - está firmada em Cristo.

Observando a figura da erva do campo (e as anteriores sobre flores e pássaros no v.29) vemos que a pouca fé está ligada especialmente à falta de confiança na provisão de Deus. Lloyd-Jones afirma, e eu concordo, que trata-se de uma confiança em Jesus como Salvador que não se desenvolveu para todas as áreas da vida. Cristo pode até ser o Salvador e Senhor da vida desta pessoa, mas ela é incapaz de vê-lo como o Senhor do Universo, o Kyrios, o Soberano, o Nome acima de todos os nomes. Sem reconhecer a Soberania de Deus por meio de Cristo, o homem de pequena fé é incapaz de aguardar com paciência a providência divina e, por isso, desespera-se.

Para vencer esta falta de fé é menos seguro procurar alguma experiência mística que legitime o que se pretende crer. O melhor é parar e pensar. Pensar aqui significa reconhecer como verdadeiras as proposições bíblicas, para chegar à conclusão de que não há necessidade de temer o futuro. Sendo a Bíblia a real portadora da sabedoria divina, ir contra seus princípios nada mais é que irracionalidade. E incoerência, no caso de um crente. Assim, a última coisa que o homem de pequena fé deveria fazer é se entregar aos rituais e campanhas (muitas vezes) acéfalos que tantos evangélicos realizam. Sua fé nunca se tornará saudável.

Somente utilizando sua mente transformada pelo Espírito, dedicando-se à leitura e compreensão da Bíblia, e reconhecendo a Soberania de Cristo, este pequeno cristão terá fortalecido sua fé em Deus.

"Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus." (Filipenses 4.6,7)

Baseado no capítulo referente a este versículo no livro Estudos no Sermão do Monte, de Lloyd-Jones. Também me baseio nos comentários que nosso grupo de estudos fez referente a este capítulo, ainda que não saiba bem quem é o dono de cada uma das idéias aqui utilizadas. Pretendo, a cada semana, postar um texto baseado no que estudamos lá.

1 comentários:

Gustavo Nagel disse...

Obrigado pelo reflexão. Deus abençoe os estudos de vocês.

Abração.