Typographia ars artium omnium conservatrix
("Tipografia, arte que conserva todas as artes")
Estou lendo um livro chamado Elementos do Estilo Tipográfico (Robert Bringhurst) e aprendi coisas interessantes sobre o assunto. Tipografia é a arte de produzir tipos, ou como são melhor conhecidas atualmente, fontes. Pode parecer bobagem para alguns gastar um bom tempo lendo sobre história dos tipos, sobre como formatar seu texto e onde colocar notas bibliográficas, sobre qual letra se adequa a qual tipo de texto, e por aí vai. Este não é um livro fácil, mas certamente é um estudo recompensador - e altamente recomendável - especialmente para quem pretende passar a vida pensando em fontes para textos, cartazes, anúncios, etc.
Note que, se você parar pra pensar, está o tempo todo lidando com tipografia. Quem tem blog certamente escolheu qual estilo daria para seu diário, e isto inclui o estilo tipográfico. Quem prepara um trabalho para faculdade, ou digita um sermão, seleciona uma fonte para seu texto. Quem escreve um bilhete para alguém amado não resolve propositadamente usar uma letra ilegível, pois quer que o destinatário entenda o que foi redigido. Você pode até não ter pensado em selecionar uma fonte quando abriu seu documento no Word, mas com certeza mudaria o tipo (isto inclui mudar o tamanho dele, por exemplo) caso percebesse que o texto impresso causaria dificuldade de leitura.
Assim, quando alguém cuidou do projeto gráfico de uma Bíblia, essa pessoa se preocupou em escolher um estilo de letra que melhor se adequasse ao texto sagrado. Me parece que a Escritura precisa de um visual sóbrio e comportado, quase conservador, de forma que uma fonte divertidinha, estilo Comic Sans, não combinaria muito com o Livro dos livros. Mas também seria tolo o designer que exagerasse tanto na formalidade que teríamos uma Bíblia com letras ao estilo medieval, tornando a leitura maçante. O responsável pelo projeto gráfico deve, então, se preocupar em não aparecer. Isto é, a última coisa em que as pessoas devem pensar ao ler um livro é: "que letrinha difícil de ler". Não, elas nem vão pensar nisso. A leitura deve fluir.
Isso me leva primeiro a agradecer a Deus pela vida das pessoas que cuidam disso, sejam elas crentes ou não. Antes de ler este livro, nunca havia parado pra pensar nos tipos da Bíblia (exceto, talvez, quando estava com uma daquelas edições com palavras vermelhas nas falas de Jesus), o que significa que os responsáveis estão fazendo um bom trabalho. Curiosamente, o autor chama algumas fontes de "tipos protestantes", pois foram produzidas por seguidores do protestantismo. Um bom exemplo é a Jannon, produzida pelo protestante francês Jean Jannon (1580-1658), que sofreu perseguições religiosas na época da Reforma. Acho que escolheria uma das fontes dele ou inspiradas nele caso recebesse o trabalho de editorar uma Bíblia.
Também me leva a pensar, em segundo lugar, no uso que Deus faz da ação humana para transmitir sua revelação de forma eficaz. Já vi pastores criticarem o uso da música no preparo dos corações para o momento da proclamação do Evangelho no culto (seja trazendo um sentimento de alegria, contrição, etc.), pois isso significa que não confiamos no Espírito Santo para convencer os ouvintes. É verdade que algumas pessoas exageram em suas tentativas de tornar o Evangelho mais "agradável" ao público, e não aprovo isto. Outros transformam num momento totalmente irracional, onde apenas as emoções, embaladas por uma música medonhamente melosa, dominam. Mas me parece que um bom uso da música como instrumento de apoio é tão inofensivo quanto colocar o microfone do pregador num volume que não incomode a congregação, não servir um pão velho na Ceia e, claro, escolher a fonte mais agradável para o leitor da Bíblia.
Não digo que Deus não possa se revelar num texto praticamente ilegível, mas convenhamos que é preferível facilitar ao máximo a leitura, inclusive pela obrigação de sempre fazermos o melhor trabalho possível (Isto não é uma defesa da Bíblia Viva ou das traduções na Linguagem de Hoje. Tradução é outra questão). Enquanto o método ou, no caso aqui, a forma não prejudicar a mensagem, me parece válido e correto utilizarmos todos os meios que "facilitem" a proclamação do Evangelho. O Espírito Santo pode superar todas as dificuldades que podem aparecer no caminho e transmitir a revelação? Não só pode, como realmente faz isso. Mas também não devemos simplesmente parar de usar todos os instrumentos biblicamente aceitáveis para se transmitir de forma mais eficaz - humanamente falando - a mensagem da Cruz. E da melhor forma possível. A Bíblia e seus leitores merecem.
Note que, se você parar pra pensar, está o tempo todo lidando com tipografia. Quem tem blog certamente escolheu qual estilo daria para seu diário, e isto inclui o estilo tipográfico. Quem prepara um trabalho para faculdade, ou digita um sermão, seleciona uma fonte para seu texto. Quem escreve um bilhete para alguém amado não resolve propositadamente usar uma letra ilegível, pois quer que o destinatário entenda o que foi redigido. Você pode até não ter pensado em selecionar uma fonte quando abriu seu documento no Word, mas com certeza mudaria o tipo (isto inclui mudar o tamanho dele, por exemplo) caso percebesse que o texto impresso causaria dificuldade de leitura.
Assim, quando alguém cuidou do projeto gráfico de uma Bíblia, essa pessoa se preocupou em escolher um estilo de letra que melhor se adequasse ao texto sagrado. Me parece que a Escritura precisa de um visual sóbrio e comportado, quase conservador, de forma que uma fonte divertidinha, estilo Comic Sans, não combinaria muito com o Livro dos livros. Mas também seria tolo o designer que exagerasse tanto na formalidade que teríamos uma Bíblia com letras ao estilo medieval, tornando a leitura maçante. O responsável pelo projeto gráfico deve, então, se preocupar em não aparecer. Isto é, a última coisa em que as pessoas devem pensar ao ler um livro é: "que letrinha difícil de ler". Não, elas nem vão pensar nisso. A leitura deve fluir.
Isso me leva primeiro a agradecer a Deus pela vida das pessoas que cuidam disso, sejam elas crentes ou não. Antes de ler este livro, nunca havia parado pra pensar nos tipos da Bíblia (exceto, talvez, quando estava com uma daquelas edições com palavras vermelhas nas falas de Jesus), o que significa que os responsáveis estão fazendo um bom trabalho. Curiosamente, o autor chama algumas fontes de "tipos protestantes", pois foram produzidas por seguidores do protestantismo. Um bom exemplo é a Jannon, produzida pelo protestante francês Jean Jannon (1580-1658), que sofreu perseguições religiosas na época da Reforma. Acho que escolheria uma das fontes dele ou inspiradas nele caso recebesse o trabalho de editorar uma Bíblia.Também me leva a pensar, em segundo lugar, no uso que Deus faz da ação humana para transmitir sua revelação de forma eficaz. Já vi pastores criticarem o uso da música no preparo dos corações para o momento da proclamação do Evangelho no culto (seja trazendo um sentimento de alegria, contrição, etc.), pois isso significa que não confiamos no Espírito Santo para convencer os ouvintes. É verdade que algumas pessoas exageram em suas tentativas de tornar o Evangelho mais "agradável" ao público, e não aprovo isto. Outros transformam num momento totalmente irracional, onde apenas as emoções, embaladas por uma música medonhamente melosa, dominam. Mas me parece que um bom uso da música como instrumento de apoio é tão inofensivo quanto colocar o microfone do pregador num volume que não incomode a congregação, não servir um pão velho na Ceia e, claro, escolher a fonte mais agradável para o leitor da Bíblia.
Não digo que Deus não possa se revelar num texto praticamente ilegível, mas convenhamos que é preferível facilitar ao máximo a leitura, inclusive pela obrigação de sempre fazermos o melhor trabalho possível (Isto não é uma defesa da Bíblia Viva ou das traduções na Linguagem de Hoje. Tradução é outra questão). Enquanto o método ou, no caso aqui, a forma não prejudicar a mensagem, me parece válido e correto utilizarmos todos os meios que "facilitem" a proclamação do Evangelho. O Espírito Santo pode superar todas as dificuldades que podem aparecer no caminho e transmitir a revelação? Não só pode, como realmente faz isso. Mas também não devemos simplesmente parar de usar todos os instrumentos biblicamente aceitáveis para se transmitir de forma mais eficaz - humanamente falando - a mensagem da Cruz. E da melhor forma possível. A Bíblia e seus leitores merecem.
(Desculpem mais um post longo)

3 comentários:
Po, interessantíssimo, cara. Inclusive, qual a fonte do texto em latim? Muito boa. ;)
Georgia em itálico, num tamanho maior.
Mais pra frente farei uma pesquisa obre esse tipógrafo protestante que citei. Fiquei muito curioso.
Josaías, eu mudei o endereço do blog. Se quiser corrigir o link, ficou assim:
www.gustavonagel.blogspot.com
Abração.
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